novembro 01, 2007

Órteses, os acessórios biônicos

Diferentemente das próteses que são dispositivos usados para substituir um membro, um órgão ou parte dele, as órteses são aparelhos ortopédicos feitos sob medida para controle, correção, sustentação e estabilização de uma determinada parte do corpo, facilitando a sua função.

Na Paralisia Cerebral, há uma alteração no padrão do tônus muscular que pode ser aumentado (hipertonia ou espasticidade) ou diminuído (hipotonia). No caso do Luquinhas, ele é considerado uma criança espástica, trocando em miúdos, ele é mais "durinho" que o normal. A espasticidade, juntamente com a falta de mobilidade, podem causar deformidade físicas que devem ser previnidas com o uso das órteses (é aí que elas entram!). As deformidades são mais comuns nos membros inferiores e coluna, podendo também se manifestar nas mãos, pulsos e cotovelos, dependendo do caso.

A primeira órtese foi recomendada ao Lucas quando ele tinha uns 7 meses. Utilizada até hoje, a goteira é um tipo de tala confeccionada em polipropileno e revestida em E.V.A. ou espuma, usada por baixo do tênis, e que é presa ao tornozelo e à canela com velcros. Ela serve para previnir o encurtamento do famoso Tendão de Aquiles, e ajuda o cérebro do Lucas a "aprender" o correto posicionamento de seu pezinho (nem tãaao "inho" assim).

Também por conta de um padrão neurológico característico de seu quadro, o Lucas permanecia todo o tempo com as mãos fechadas pressionando o polegar contra a palma. Para uma pessoa sem muita familiaridade com o caso, achava bonitinho o Lucas agarrar um objeto ou a mão de alguém com tanta força, mas essa ação é um reflexo, ou seja, um movimento além do seu controle. Observamos muito este reflexo em bebês recém-nascidos, quando colocamos o dedo na palma de sua mão e ele fecha com bastante força como se estivesse segurando. O uso do abdutor de polegar, órtese que posiciona o polegar de forma adequada e impede que ele seja pressionado pelos outros dedos, foi essencial para evitar uma possível deformidade nos polegares do Lucas. Hoje, ele não faz mais uso desta órtese, pois está com as mãos mais relaxadas e permanecem mais abertas.

Outro local bem comum que pode apresentar deformidade nas crianças com PC, é o quadril. A articulação do quadril é feita através do encaixe da cabeça do fêmur na cavidade do osso pélvico. Nos primeiros meses da infância, essa cavidade é mais rasa e só se torna um encaixe de verdade à medida que a criança coloca peso sobre a articulação, ficando em pé. Para uma criança, que por qualquer motivo, não tenha condição de ficar em pé sozinha (como é o caso do Lucas), essa cavidade não se formará como deveria e permanecerá rasa. Isso predispõe essa criança à um deslocamento parcial (subluxação) ou até mesmo total (luxação) do quadril, sendo necessária uma uma intervenção cirúrgica. Mas isso é um outro assunto. O Scottish-Rite, ou abdutor de quadril, confeccionado em duralumínio, aço, courvin e velcro, mantém a cabeça femural encaixada, permitindo movimentos das articulações do quadril.

O parapodium é um outro recurso que deve ser utilizado a fim de previnir o deslocamento do quadril. Feito em madeira, fórmica, duralumínio, velcro e espuma, é indicado para crianças que não realizam marcha e necessitam de auxílio para ficar em pé. O ato de ficar em pé, não só ajuda na formação da cavidade pélvica, como também contribui para fortalecer a musculatura, melhorar a postura do tronco, trabalhar o equilíbrio, além de contribuir para um bom funcionamento do intestino.

Aqui foram citadas apenas as órteses que o Lucas já utilizou ou utiliza hoje em dia, mas claro que existem muitas outras para os mais variados fins. Em sua maioria, não são aparelhos bonitos nem discretos, porém, contribuem muito para a qualidade de vida das pessoas que precisam usá-los. Assim como damos às nossas coisas um toque pessoal, vale recorrer à alguns apetrechos para deixar esses "estranhos biônicos" com uma cara mais simpática. Adesivos, durex colorido, spray, tintas,... Junte tudo isso com criatividade e dê uma cara nova e alegre para a órtese do seu filho.

Oficinas ortopédicas que confeccionam órteses:

LESF - Lar Escola São Francisco
Rua dos Açores, 310
Jd. Luzitânia - SP/SP
Tel. (11) 5904.8000

AACD
Rua Pedro de Toledo, 1620
Vila Clementino – SP/SP
Tel. (11) 5576-0982 / 5576-0983

8 comentários:

Tati disse...

Ani, gostei muito destas explicações...Tenho uma filha que nasceu em maio de 2008, com microcefalia e encefalocele occipital, enfim, estava buscando mais informações sobre estes aparelhos que ela também utiliza, a órtese de mão e de pé, ela também é espastica...agora está com 01 aninho, também milagrosamente, como o querido lucas...
Eu gostaria de saber qual a idade correta para coloca-la no parapodium...se puder me ajudar...Obrigada e muita paz..

Ani disse...

Olá Tati! Primeiramente, obrigada pela sua visita e seu comentário. Fico muito feliz em saber que o que escrevo por aqui pode ajudar outras pessoas.

Olha, o Lucas começou a utilizar o parapodium mais ou menos com 1 ano e pouco. É a idade que as crianças começam a dar os primeiros passinhos mesmo. Mas com as nossas crianças, cada caso é um caso. O ideal é perguntar para a fisioterapeuta e o ortopedista que acompanham sua filha se ela já pode.

O Lucas, por exemplo, não está podendo ficar em pé no momento. Ele estava com uma subluxação importante no quadril. Apesar de o quadril já estar encaixadinho, o ortopedista ainda não liberou o parapodium por precaução.

Se tiver mais alguma dúvida, ou simplesmente quiser trocar umas idéias, me escreva para o e-mail anicires@gmail.com. Será um prazer!

Apareça sempre por aqui.

Beijos.

Aline disse...

Oi, Ani!
Bom, sou amiga de um garotinho muito especial, assim como o seu filho, chamado Mario Sergio.
Pesquisando preços do suporte Parapodium na internet( ele fez a cirurgia pra liberar os tendões das pernas à uma semana, e logo precisará de um...), encontrei o seu blog, e sinceramente, fiquei um pouco surpresa, mas mesmo assim, feliz. (:
gostei muito da sua atitude em fazer esse blog, com informações tão valiosas para nós, que convivemos com essas pessoinhas incríveis.

bom, se você ver esse comentário, mande-me e-mais, tá?
(aline_reis81@hotmail.com)
Assim que o Serginho tirar o gesso das perninhas e a mãe dele voltar ao trabalho, eu passo o seu blog para ela e a coloco em contato com você. ^^

grande beijo e mais uma vez, parabéns pela iniciativa.

Ani disse...

Oi Aline!

Fico muito feliz por você ter encontrado "acidentalmente" o blog do Lucas. Ele foi criado para isso mesmo, surpreender, informar, emocionar e, principalmente, desmistificar. A vida das nossas crianças especiais é mais simples do que parece, são os outros que complicam por falta de informação.

Estou entrando em contato com você por e-mail.

Obrigada pela mensagem e uma ótima recuperação para o Mario!

Um grande abraço.

Ani.

Elis Sanches e Claudio Machado disse...

Ani, parabéns pela iniciativa em dividir com todos as experiências de sua família.
Tenho um casal de amigos que ganharam uma filha linda que está em tratamento na AACD de Osasco, e os médicos prescreveram o parapodium, eu estou pesquisando a respeito para poder, entre outras coisas, dar uma força entendendo um pouco a respeito. Ela ouviu falar q este aparelho é caro, então estou tentando ajudar a ver alternativas mais baratas e/ou acessíveis para adquirir.
Vc teria alguma dica p/ nos dar?
Mais uma vez parabéns pela garra e união da família.
Bjos!
Elis

Raquel, Walter e Thais disse...

as suas informaçoes sobre orteses foram muito boas ,eu nao conhecia o abdutor de quadril ,minha filha esta com o quadril sub luxado axei muito interessante o aparelho muito obrigado.
visite o blog de minha filha ;raquelethais.blogspot.com
beijo para seu filho

Raquel, Walter e Thais disse...

visite o blog de minha filha
raquelethais.blogspot.com

Mônica Gonçalves disse...

Bom dia, Ani!
Gato de Rodas... é incrível como quem tem um anjo desses em casa consegue ser tão sensível e criativo...
Sou Mônica, mãe do Vítor, o meu "Gatinho de Rodas"... Ele vai completar 3 anos agora em janeiro, é portador de sequelas motoras de PC (por enquanto acreditamos que a parte cognitiva não tenha sido afetada, pois o entendimento, compreensão aparentemente não sofreram danos).
Estava procurando idéias de algo que pudesse ser feito para manter o quadril mais posicionado e encontrei a foto do Scottish-Rite (abdutor de quadril), porém, como aqui em Erechim/RS quase tudo temos que inventar-modificar-alterar pela falta de opções, gostaria de saber onde você encontrou este aparelho.
Meu e-mail é moxagon@gmail.com, se puderes entrar em contato agradeço muito.
Beijos, um ótimo Novo Ano e obrigada pela disposição de realizar algo como este blog.
Mônica X. Gonçalves