novembro 16, 2007

Paralisia Cerebral


Muitas pessoas se aproximam do Lucas para conhecê-lo e saber o que ele tem. Quando respondo que ele teve paralisia cerebral é nítida a mudança na expressão do rosto de algumas dessas pessoas. Aquele rosto curioso e simpático dá lugar a outro espantado e sem graça. Pra quem não tem conhecimento sobre deficiências o termo é mesmo assustador.

Pra começar a esclarecer o assunto é importante dizer que a paralisia cerebral não é uma doença, e sim uma condição especial (deficiência) que, uma vez estabelecida, não progride.

Clinicamente falando, a paralisia cerebral é um distúrbio de movimento e postura causado por um dano ao cérebro na infância. Quando um adulto sofre algum dano ao cérebro, diz-se que ele teve um derrame cerebral e as consequências são diferentes das ocorrentes na criança com paralisia cerebral, pois um cérebro adulto não cresce mais, enquanto que na criança o cérebro ainda não está completamente desenvolvido.

As causas da paralisia cerebral podem ser:
pré-natais (antes do nascimento) - pré-eclampsia e eclampsia, má formação do cérebro, diabetes, infecções, anemia grave;
peri-natais (durante o nascimento) - sofrimento fetal, distúrbios circulatórios cerebrais, prematuridade, traumatismos no parto;
pós-natais (depois do nascimento) - falta de oxigenação, traumatismo craniano, meningite. Há também as de causa desconhecida.

De acordo com o grau da lesão, classifica-se como leve, moderada ou severa. Quanto aos tipos de paralisia cerebral, são basicamente quatro:

Espástica - movimentação restrita e tônus muscular aumentado que pode atingir um lado do corpo (hemiparesia), membros inferiores (diplegia) ou os quatro membros (quadriplegia);
Atetósica - tônus muscular instável com trocas bruscas de tônus muscular (hipotonia/ normal/ hipertonia), causando movimentos involuntários e incoordenados que dificultam a movimentação voluntária;
Atáxica - dificuldade na coordenação dos movimentos, distúrbios de equilíbrio;
Hipotônica - tônus muscular baixo, falta de controle postural.

As crianças com paralisia cerebral podem apresentar outras de suas funções prejudicadas, tais como distúrbios de aprendizado, deficiência visual (baixa visão, visão subnormal, cegueira e estrabismo), deficiências auditivas, distúrbios da fala e linguagem, epilepsia, dificuldade na alimentação e problemas com a deglutição, dificuldade em controlar a saliva, problemas odontológicos, constipação intestinal, contraturas musculares e problemas ortopédicos. Todos eles podem aparecer isolados ou associados, dependendo do quadro clínico que a criança apresentar.

O tratamento é feito através de atendimento especializado que inclui uma equipe multi-profissional, envolvendo especialidades como pediatria, neuropediatria, ortopedia, fisiatria, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, pscicopedagogia, oftalmologia,...

É natural que os familiares se concentrem na reabilitação da criança e deixem de lado outras atividades. A criança com paralisia cerebral precisa passar por todas as etapas de desenvolvimento de uma criança normal ou, pelo menos, o máximo que conseguir. Se ela tiver restrições de movimento e não conseguir vivenciar sozinha etapas como arrastar-se, pegar objetos e levá-los à boca, cabe a nós (adultos) encorajá-las e auxiliá-las a isso. A exploração é essencial para o desenvolvimento dos sentidos e das idéias sobre o espaço. E a melhor maneira de estimular isso é brincando.
Ainda há muito o que se compreender sobre a paralisia cerebral. Entretanto, é possível afirmar com total certeza que muitas das necessidades das crianças com PC são iguais às das crianças normais. Todas elas precisam do amor e carinho dos familiares e das oportunidades de exploração de seu potencial.

15 comentários:

Anônimo disse...

Também tenho uma filha com paralisia cerebral, o blog do Lucas é fantástico e me mostrou sentimentos parecidos, mas que não temos com quem dividir. Minha filha é linda , minha grande companheira , quer dizer nossa grande companheira, já que ela tem um PAIZÃO com P pra lá de maiúsculo. Tentamos deixar sua vida mais próxima possível que de qualquer outra criança e sem super ptrtegê-la. Quer saber uma curiosidade, sou médica, e me deparei com as doces grosserias dos médicos , graças a Deus que foi a minoria, pois da grande maioria que cuida da minha filha só tenho a agradeçer e pedir a Deus que eles tenham força e perseverança para que mesmo com seu cotidiano cheio de acontecimentos capaz de endurecer qualquer coração, eles consigam enxergar em cada mãe o sofrimento a ansiedade a expectativa daquele momento e dar uma resposta pelo menos adequada a aquele momento.

Dani disse...

Estou me formando em fisioterapia, e vou seguir em pediatria, essas crianças me fascinam! aprendo muito com elas, e o Lucas eh msm um gato! = ]
Parabéns pela iniciativa! adorei o blog...
ah! e meu e-mail é danii087@hotmail.com

eliane lucia disse...

OI ANI, SOU PROFESSORA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL e HÁ 7 ANOS TRABALHO COM ALUNOS SURDOS! ESTE ANO RECEBI UM ALUNO QUE ALÉM DA SURDEZ TEM PARALISIA CEREBRAL! É MAIS UM DESAFIO NA MINHA PROFISSÃO E TENHO CERTEZA QUE VOU APRENDER MAIS DO QUE ENSINAR "AO MEU GATO DE RODAS"!
PARABÉNS ANI, PELA PERSEVERANÇA E DEDICAÇÃO QUE DEUS CONTINUE SEMPRE PERTO DE VOCÊS!
luciarabelor@hotmail.com

janah disse...

Oie, meu nome é Janaina e tenho uma filha de 4 anos com paralisia cerebral espática diplegica. Minha filha é Linda, inteligentíssima e vencedora, pois ela ultrapassa a cada dia uma barreira. Ela estuda em uma escola normal e a sociabilidade fez com que o tratamento dela melhorasse a cada dia. Graças ao senhor, Deus colocou em nosso caminho os melhores médicos que poderiamos ter, melhores em relação a capacidade e amabilidade. A cada nós, Eu , o Pai, Meu filho e ela, destruimos um gigante. HJ ela anda com andador e se sente muito independente. No ínicio foi muito difícil para mim, pois não sabia nada sobre paralisia Cerebral, mas hj amo ter uma filha que quer mais da vida e luta por isso. Creio que Deus só da crianças especiais para mães muito mais que especiais...Lucas realmente é um Gato de rodas, rsrsr, que Deus possa continuar operando na vida de vcs e que nunca desistam e continuam caminhando em direção a vitória...parabéns pelo blog.....Abraços!!!!
Meu email: inasera@hotmail.com

Adriana disse...

Bom dia, gostei do que escreveu, principalmente em destacar que crianças com encefalopatia precisam de amor antes de tudo! Sou professora de AEE e recebi recentemente uma criança PC que apresenta déficit intelectual. Preciso de ajuda em criar atividades que a estimulem e material adptado. E confesso que não sei por onde começar, preciso de ajuda. No momento criei algumas formas de comunicação, para o sim e não, já que não fala nada. Tento trabalhar com formas e texturas, mas quero outras coisas, sua concentração é baixíssima, não ouve do ouvido direito e tem estrabismo. Fico pensando se realmente o estou ajudando, sinto que posso fazer mais mas não tenho idéias de como favorecer a integração com o grupo ou uma aproximação comigo ou mesmo de fazer com que entenda regras básicas da escola, como que não deve tirar a camiseta, que deve beber água e não somente suco, enfim gostaria de umas dicas para nos ajudar a fazer o melhor. Obrigada e aguardo retorno de vcs.
email para contato: msadriana@uol.com.br

Anônimo disse...

Ola! achei muito lindo seu blog, estou me formando para educadora infantil e na minha cidade ampliaram um projeto de acompanhante de inclusão para crianças especiais. Estou participando desse projeto como acompanhante de um garotinho com paralisia cerebral, ele é muito fofo, mas fico me perguntando se ele pode chegar a andar ja que os medicos disseram que não, mas ele ja esta fazendo muitas coisas que os medicos diziam que não poderia fazer, ele é muito esperto. isso pode acontecer um dia?

isabellesalmaso disse...

oi, achei muito bom o blog,eu sou professora de arte no ensino fundamental I e esse ano eu estou com uma aluna que tem paralisia celebral ela é muito inteligente mas seus movimentos são muito restritos,estou entrando em desespero pois é a primeira vez que trabalho com aluno especial, gostaria muito de algumas dicas e idéis de trabalhos que eu possa desenvolver com ela, tanto manuais como no computador,ficarei muito grata se algem puder me ajudar.meu email valeria.gobbo@hotmail.com;obrigada

Anônimo disse...

Bom dia , então estou fazendo faculdade de pedagogia , e quero me especializar em crianças com paralisia cerebral , pois já trabalho em uma escola a 1 ano , sou estagiaria de um menino de 8 anos que é portador da paralisia cerebral , logo que cheguei para trabalhar e vi aquele garoto , nunca imaginei que ele mudaria a minha vida , e muito menos que ele tivesse capacidade de fazer algo que pudesse melhorar na sua vida . Hoje tenho orgulho de falar que com meu esforço , dedicação e com muito esforço dele , ele é uma pessoa bem melhor , ele não fala , algumas coisas que ele tenta falar eu consigo entende , mais ele entende tudo que se fala para ele , ele faz atividades , ele brinca , e participa bastante em sala de aula , mais tem dia que ele toma medicação e fica muito sonolento , mais tambem tem dias que ele esta muito agitado , acaba batendo nas outras crianças , ja me bateu varias vezes , mais sempre depois vem pedi desculpa , chora , e hoje eu posso falar com toda a certesa que ele é o meu orgulho, e que o amo como se fosse meu filho , pois nunca senti um amor tão sincero como o que sinto por ele e pelo que ele demonstra para mim . E agora sim eu tenho mais certesa que quero me especializar nessa area, e se voces puderem estar me ajudando com algumas atividades , brincadeiras novas para que eu possa passar para ele , ficarei muito grata.
malu.caroline123@hotmail.com

Aline disse...

Oii me chamo Aline sou mãe do Lucas tb portador da PC, adorei seu bllog e sobre a explicação de paralisia faço as minhas palavras o mesmo que vc escreveu,será que vc poderia deixar eu copiar seu post e colocar no meu blog é o que realmente passo sinto.www.lucashusni.blogspot.com um abraço

Pablo disse...

Olá! Meu nome é Pablo e tive PC. Hoje tenho 30 anos. Minha história é curiosa porque eu consegui superar os obstáculos físicos do problema. Ando, falo, dirijo, em suma sou um sucesso. Mas me sinto mal comigo mesmo, inferior, deprimido. Sempre fui bom aluno, estudei na USP, entrei entre os 10 primeiros duas vezes. Mas me sinto deslocado, como se não fosse bom o suficiente pro mundo. Ultimamente resolvi tentar buscar pessoas com PC pra conversar, trocar experiências, mas aqui no Brasil é realmente difícil achar pessoas que cresceram e se encaixaram no mundo. Acho que estou escrevendo pra dizer que a auto-estima é mais importante do que a função e que antes de tudo a pessoa tem que se sentir amada como é. Talvez se tivesse sido assim comigo eu não fosse tão capaz do ponto de vista motor, mas fosse menos infeliz.

Ani Cires disse...

Olá Pablo! Fico feliz por ter me escrito, uma pena vc não ter deixado seu email, adoraria poder me comunicar com vc.
Com tantas superações e conquistas vc deveria se sentir orgulhoso de si mesmo! Coincidentemente, temos a mesma idade, e vc já alcançou metas q eu sonho alcançar, como fazer uma faculdade.
Não sei qual a sua história, como foi sua vida em família, mas acredito q o amor é essencial na formação de indivíduos, sejam eles com limitações ou não. E o amor próprio inclusive!
Temos necessidade de buscar "nos outros" aceitação, afeto, atenção, carinho,... para nos preencher, nos sentirmos queridos e importantes. Mas se olharmos para dentro de nós, valorizando tudo o q há de melhor em nosso ser, nossas potencialidades, dons, verdades, caráter, seremos plenos!
Depois que tive o Lucas, descobri uma sociedade seletiva, cruel, e de sentimentos condicionais. Porém, com a vivência mais profunda dessa experiência q a vida me ofereceu de ter um filho especial, modifiquei o meu ponto de vista e percebi q eu não deveria esperar e sim oferecer.
Descubra algo q vc faça bem e ofereça ao universo!! Se não conseguir sozinho, sugiro q busque ajuda de um profissional (psicólogo/terapeuta).
Desejo q 2012 seja um ano de mta felicidade e descobertas pra vc!!
Um abraço, Anieli

Anônimo disse...

ANI...
sou professora de um aluno com baixa visao e paralizia cerebral gostaria que vc me ajudasse a saber que tipo de atividade posso dar ele estou numa sala normal com 20 alunos e ele bate e nao para sentado... por favor...nao existe nenhum material que me oriente na net so texto quero coisas concretas... roselicarmona@hotmail.com

Anônimo disse...

Olá.. trabalho com AEE e recebi uma aluna com PC esta semana, e fiquei muita angustiada procurando atividades que possam ser desenvolvidas com a mesma em Sala de aula, se puderes me auxiliar com algumas sugestões...
Aproveito para lhe parabenizar pelo belíssimo conteúdo do blog
obrigada

Anônimo disse...

Olá, sou professora de um aluno(12 anos) com paralizia cerebral e é muito dificil gerir uma turma de 20 alunos e não saber exatamente que tipo de atividades são as mais adequadas para esse meu aluno com PC ... Existe algum material/atividades(algo concreto e prático)que possa encontrar online ou que possa partilhar comigo e que me oriente? Desde já agradeço a disponibilidade!

minacristina@sapo.pt

jacqueline Honorato disse...

olá fiquei muito feliz em encontrar um site que pudesse me ajudar, sou professora de sala de recursos, porem estou este ano recebendo uma criança com paralisia cerebral, bem comprometida e não sei como trabalhar,venho pesquisando mas nada me ajuda. se possivel mantenha contato jackhonorato@yahoo.com.br, ficarei muito grata em receber ajuda.o seu texto me ajudou a pensar em afetividade,e conquistas para depois avançar nas necessidades dele. bem não sei se estou certa porisso aguardo respostas. bjs e obrigada. jacqueline- Ba Lauro de Freitas.