março 08, 2009

Integração Sensorial

Todos sabemos que olfato, paladar, tato, audição e visão são os 5 sentidos. Mas engana-se quem pensa que possuímos somente estes cinco. Existem também os sentidos proprioceptivo e vestibular.



A propriocepção é a capacidade de reconhecer a localização espacial do próprio corpo, sua posição, a força exercida pelos músculos, e a posição em relação às outras partes sem precisar utilizar a visão. Essa percepção nos permite, por exemplo, desviar de um objeto mesmo sem saber a que distância precisa ele se encontra, ou mesmo tocar uma parte do corpo com os olhos fechados. Seus receptores encontram-se, em maioria, nas articulações. Graças a propriocepção podemos andar, segurar e manipular objetos e coordenar movimentos. O sentido vestibular tem seus receptores localizados no ouvido e são sensíveis à alterações angulares da cabeça. Ele é responsável pelo equilíbrio do corpo, além de atuar na identificação da posição do corpo, permitindo que se saiba quando está deitado, sentado, em pé ou em qualquer outra posição. Também é graças ao sistema vestibular que conseguimos coordenar movimentos dos dois lados do corpo em conjunto, como andar de bicicleta e cortar com uma tesoura.


O cérebro recebe a informação desses estímulos sensoriais captados pelos "7 sentidos" que são interpretados, processados e organizados por ele para a formação de uma estrutura de comportamento e aprendizagem. À essa organização realizada pelo cérebro dá-se o nome de integração sensorial. Qualquer alteração na hora de processar as informações causada por diversos motivos, como uma lesão no sistema nervoso central, ou simplesmente uma imaturidade do mesmo, causa uma disfunção da integração sensorial. Esse distúrbio na recepção e organização das informações sensoriais recebidas afeta o desempenho nas demais áreas podendo ocasionar atraso escolar, dificuldade na relação com o outro, dificuldade de atenção e concentração, auto-estima prejudicada, alteração no tônus muscular, dificuldade de equilíbrio e na coordenação motora ampla e fina. Alguns dos sintomas da disfunção da IS são interpretados e tratados erroneamente, e muitas vezes são confundidos com problemas emocionais.

Alguns comportamentos que podem indicar uma Disfunção da Integração Sensorial:

- dificuldade em manter a atenção em sala de aula ou brincadeiras mais complexas
- comportamento hiperativo
- sentido tátil mal desenvolvido, aversão ao toque, não gosta de se sujar
- dificuldade em se alimentar, não aceita alimentos com texturas diferentes
- oscilação de humor de forma que chama a atenção
- dificuldade em graduar a força
- problemas de linguagem (fala, leitura e escrita)
- evita ambiente com muitas pessoas e ambientes barulhentos
- problema na articulação da fala sem razão aparente
- esbarra constantemente nos objetos ao redor, derruba coisas sem querer


Quando houver suspeita de uma disfunção da IS deve-se procurar um Terapeuta Ocupacional qualificado ou outro profissional da saúde que tenha especialização em Integração Sensorial que realizará uma avaliação para identificar o problema. O tratamento baseia-se no princípio de uma reorganização do modo de funcionamento dos sistemas sensoriais. Para isso são utilizadas atividades lúdicas, brincadeiras e jogos que trabalham os sistemas integrados. O tratamento modifica a dieta sensorial utilizando organizadores para regulação. Os organizadores podem ser desde o toque do terapeuta, a criação de ambiente favorável e até um material para desenvolver uma função específica. A criança reorganiza o seu modo de funcionamento para as funções cotidianas. Para isto é necessário que a família e a escola estejam integrados aos objetivos do tratamento.


A família também pode ajudar. Brincar é a melhor forma de desenvolver a integração sensorial.

- jogos corporais, ir a parques com diferentes estímulos e desafios (trepa-trepa, balanço, gira-gira, ponte movediça), tendo o cuidado de respeitar o limite de cada criança.
- evitar o excesso de limpeza, se possível deixar descalço, fornecer momentos de contato corporal de uma forma prazerosa, dar toques diferentes leve e profundo.
- balançar no colo, na rede ou no cobertor.
- dançar
- brincar de guerra de almofadas, de cabo de guerra, transportar objetos
- favorecer atividades de pintura, massa de modelar e argila
- construir histórias onde represente as ações de forma concreta (passar por túneis, escadas, cordas) e por meio de desenhos e pinturas

Vale lembrar que essas brincadeiras só são válidas com o consentimento da criança, não devendo ser forçada à nada. Incentive as brincadeiras com a participação de outras crianças e entre na brincadeira também!

Fontes: Grhau / TOI
Imagens: Fotosearch / UFMG



4 comentários:

Betty disse...

Ótima postagem!!
Elucidativa e muito esclarecedora para todas as mamães, papais (e vovós que nem eu.......rsrsrs).
Parabéns! Love & beijocas mil.

Dina disse...

Olá, olá

Obrigada por este post, tão simples e claro...

O Afonsinho faz TO e Integração Sensorial.

Estão neste momento a chegar a Portugal, algumas ideias vindas dos Estados unidos em integração sensorial que estão a ser postas em prática por terapeutas ocupacionais.

Grandes espaços, ocupados com brinquedos, tapetes, tábuas elevadas, baloiços, barris... que permitem à criança ir descobrindo e se ir descobrindo através da brincadeira e do movimento.

Estou à espera de uma avaliação pra poder comerçar, com mais esta terapia com o Afonsinho.

Beijinhos

ClaudiaMG disse...

Olá

Uma amiga disse-me para passar por cá, pois tinha escrito um Post sobre a Integração Sensorial....excelente, gostei bastante, muito elucidativo.

Muitas vezes estamos tão preocupados com tantas coisas que esquecemos algumas coisas básicas como o brincar, o dançar, o cantar, as texturas diferentes.
Desde que descobrimos a IS, a mesma passou a fazer parte da nossa vida, até porque de todas as terapias que o Guilherme faz, esta é a que gosta mais, pois é muito mais lúdica e não é obrigado a ficar sentado numa mesa para fazer uma determinada actividade.

É sempre importante a troca de informação.

Um grande beijinho para vós.

Luciana Pessanha Pires disse...

Muito interessante a postagem, querida!
Beijo grande