abril 27, 2008

Toxina botulínica, o Botox

A toxina botulínica, conhecida comercialmente por Botox, é uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que causa paralisia muscular chamada. Esta mesma bactéria é responsável pelo botulismo, um tipo de intoxicação alimentar.

Aproveitando a propriedade de bloqueio muscular, esta toxina foi sintetizada em laboratório para diversas utilizações. A primeira utilização desta toxina para fins de tratamento foi na década de 70, para a correção de estrabismo. Sua utilização pode ser para fins estéticos (rugas), oftamológicos, neurológicos, ortopédicos, no tratamento de hipersudorese (suor excessivo), espasticidade (rigidez excessiva do músculo), sialorréia (salivação excessiva), alguns tipos de distonia e cefaléias.

Pequenas doses da toxina são injetadas pelo médico por meio de injeção intramuscular, bloqueando a liberação de uma substância química chamada acetilcolina, responsável pela contração muscular. No caso de sialorréia, a aplicação é feita nas glândulas, e na hipersudorese a injeção é feita na região afetada. O medicamento começa a fazer efeito de 48h a 72h depois da aplicação, e tem duração de cerca de 4 a 6 meses.

Os efeitos colaterais são raros, transitórios e dependem do local da aplicação, incluindo fraqueza generalizada (apenas com altas doses), boca seca, dificuldade de deglutição e queda das pálpebras. O uso frequente pode levar a formação de anticorpos, diminuindo as respostas de futuras aplicações.

No tratamento de paralisia cerebral a toxina botulínica tem demonstrado resultados eficientes no tratamento da espasticidade, distonia, blefaroespasmo, espasmo hemifacial e estrabismo. Se não estiver associado a um programa de reabilitação, o uso desta substância, nestes casos, não traz benefícios. Mesmo após o término do efeito da toxina, parte da reabilitação conquistada permanece. O número de aplicações e a quantidade é variável conforme o quadro do paciente.

No dia 08 de Abril, o Lucas passou por este procedimento pela primeira vez. A aplicação, feita por um neurologista, concentrou-se nos braços, ombros e cervical. A quantidade de toxina foi pequena, calculada com base no peso dele. Foram cerca de 14 picadas, sem nenhuma anestesia, mas poderia ter sido usada uma pomada anestésica. Com duas semanas de aplicação, notamos um leve relaxamento. A troca de roupa do Lucas está mais fácil, principalmente para vestir e tirar a camiseta. Esses dias, o Lucas movimentou os braços de uma maneira como nunca havia feito antes.

Dia 13 de Maio, voltaremos ao consultório para que o médico avalie os resultados da primeira aplicação.

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