maio 31, 2021

Acorda pra vacina!



Lucas segundos antes de tomar a vacina. Estava dormindo na hora que as agentes de saúde da UBS Rio Vermelho chegaram. Solicitei a vacinação via wapp na semana passada. Apareceram hoje sem aviso. Tomei um susto. Fiquei emocionada de receber a vacina em casa (pela condição de acamado). Lucas acordou mal humorado, um típico jovem 19 de anos p*to pelo sono interrompido. Acordou na agulhada. Pobre! Mas o que é uma picada pra quem já passou por uma artrodese, né filhote? Ainda assim, sinto muito por ele. Numa escolha de Sofia, penso que essa vacina faria muito mais sentido no meu braço. Feliz por ter conseguido um direito nosso, por poder proteger um dos meus filhos, mas sinto medo. Por mim, por minha filha, por outras pessoas que amo e quero bem, e por todos que ainda não se vacinaram. Das tarefas com Lucas, decidir por sua vida é sempre o mais desafiador. Todo resto a gente acostuma. Até ver o filho acordar tomando agulhada.


Primeira dose - check!

maio 05, 2021

Poesia fôlego aos dias


O dia amanheceu cinza. O céu, as noticias. Densidade pra todos os lados. Infinita repetição. Difícil encarar fora quando dentro já é muito. Por aqui, atrás do veú, o lanche da tarde: Lucas ensopado. Acidentes da gastrostomia. Fazia tempo que não acontecia. Já foi motivo de raiva, de riso. Hoje, medito. E faço o que precisa ser feito: limpo. O banho pra ele, que já não é todo dia, faz a alegria. E tento transformar em poesia. Fôlego aos dias.

abril 24, 2021

O futuro é DEF


Uma conhecida, mãe de uma colega da Clara, me escreveu pra contar que uma grande amiga está com metade do corpo paralisado (hemiplegia), sequela de covid. "Muito triste", disse ela. Essa mesma pessoa me pediu, certa vez que a filha dela vinha brincar na minha casa, para que eu mostrasse o Lucas pra menina. Ela queria que a filha "desse mais valor à vida". Capacitismo que fala? Chamo isso de pensamento alavanca. Usar a condição vulnerável do outro (seja física, intelectual, social, econômica, cultural) para se sentir melhor, mais confortável, na sua própria condição. Nivelar por baixo sem qualquer fresta pra empatia. Além de ser muito desrespeitoso! P. T. Barnum tiraria muito dinheiro dela, de certo. Respondi uma mensagem educada e afetuosa, e selei com o vídeo "O futuro é DEF!", que está no canal Casa de Zuleika, no youtube. Aproveito pra recomendar o conteúdo do canal aqui. E mandar um beijo pra maravilhosa Estela Lapponi. Agradecida.

abril 17, 2021

Quando o isolamento é lugar de conforto

 


Não é fácil toda carga emocional que existe. É ainda mais pesado quando estamos sozinhos, justamente por não ter com quem dividir. Me considero muito forte até aqui, tenho dado meu melhor e também sei que não sou perfeita. A essa altura do campeonato, do nível de provações que estamos vivendo, o que tenho de bons sentimentos é o que me movimenta. Tenho procurado esquecer as diferenças e nivelar minhas relações pelo que existe de bom. Vejo o melhor de mim (e o pior tbm) nos meus filhos. Ainda peno pelo meu jeito de ser pensar falar e estar que às vezes soa agressivo. Fui criada com banho de tanque pra cessar o choro compulsivo. Reconheço que muito de minha personalidade vem do que vivi na infância, reproduzindo atitudes de corpos que me criaram, que me permearam. Há anos venho me conscientizando da responsabilidade de sair desse padrão. Não é fácil. O isolamento, nesse ponto, é um lugar de conforto. Não ter a tarefa de encarar minhas sombras espelhadas pelo outro torna tudo mais fácil, aparentemente. O mais legal é quando percebo que minhas sombras estão aqui independente da luz que vem de fora. Sinto que estou num bom caminho. Com AMOR e VERDADE sigo.

Texto criado a partir de uma conversa no wapp com um familiar.

março 08, 2021

Dia da Mulher


ser mulher estar atenta pensar independente colocar limites fazer escolhas se sentir culpada ser julgada chamada de louca exigir respeito liberdade equidade justiça se sentir sozinha censurada apagada desrespeitada excluída cansada vulnerável levanta auto estima esconde desejo supera traumas busca resiliência firma existência exerce potência ser mulher haja força fôlego e paciência.

Foto: Michael Ochs

fevereiro 18, 2021

Só por hoje


Ser mãe é... anotar na geladeira pra não esquecer o compromisso, passar o dia se organizando e na hora a maternidade colocar todos os seus planos em segundo plano.

Em respeito ao dia Nacional da Luta contra o Alcoolismo, eu não vou beber.


 

janeiro 24, 2021

Verdades sejam ditas

"Guardando segredos ou uma alegria pra quem vive no silêncio."
(vídeo postado no Instagram @anicires)

"Muito difícil isso", foi o comentário enviado por uma amiga que tem um filho com deficiência severa, muito similar ao Lucas.

Essa é a real empatia real pra mim.

dezembro 03, 2020

Ninguém solta a mão de ninguém.

A mão da pessoa com deficiência tá na roda também!


abril 18, 2019

O Lucas Chamou o Mar, uma devolutiva de olhar

Muito tem se falado sobre diversidade. Múltiplas são as vertentes, mas tenho visto a deficiência ganhando fala e se tornando um nicho temático de discussão. Vejo histórias inspiradoras de superação ganhando voz. Vidas de pessoas que, assim como eu, vivem uma realidade diversa e inóspita.

Mulheres maravilhosas que correm maratonas com seus filhos empurrando suas cadeiras de rodas, ou que publicam livros, dão palestras sobre suas experiências, e lutam por causas. Vejo pessoas com deficiência transformando sua realidade com esporte, com ARTE.

Me sinto representada, acolhida. Ainda assim, há o meu grito. 

Não fui capaz de correr uma maratona com meu filho, nem escrever um livro sobre essa experiência, muito menos vê-lo ser um artista ou esportista paraolímpico... Não sofro. Aprendi a reconhecer nossas limitações e aceitá-las. Dói menos. Mas o desejo de fazer algo com a condição Lucas sempre existiu. Comecei com o blog, onde utilizava a escrita como válvula de escape, um lugar para deixar fluir a carga dessa experiência tão intensa, transformadora e amorosa. Igualmente difícil, pesada e dolorosa. Pouco por ele, muito pelas pessoas.

Nossa história de superação vem do viver, da troca, do receber. Olhares, falas, julgamentos, acolhimentos, desprezo. A partir dessa nossa relação com o mundo, desses olhares sociais, nasceu uma ideia e Lucas virou um filme.

A seguir, compartilho release de apresentação do cprojeto e convido todos a mergulhar nesse mar.




'O LUCAS CHAMOU O MAR' 
Um ensaio sobre o olhar 


Projeto experimental de curta metragem documental contemplado pelo Edital de Curtas SpCine 2017; seleção oficial Media Library do Festival VISION DU RÉEL 2019 - Nyon; Festival de Cinema de Triunfo 2019; Cine Esquema Novo 2019; Curta Taquary 2020 - Prêmio Melhor Direção na categoria Primeiros Passos.
Seguindo cronograma do Edital promovido pela SpCine, a estreia do curta-metragem acontece em Abril de 2019, no CCSP.
Projeção do lançamento de um longa, em fase de montagem e busca de patrocínio/recursos/parcerias, material este selecionado no DocSP - 2017.

"O LUCAS CHAMOU O MAR” é um filme que aborda, através do retrato de uma família, temáticas e reflexões universais diretamente conectadas ao olhar para si e para o outro. O projeto nasceu do desejo da diretora Ani Cires em fazer algo com a condição especial de seu filho Lucas, no filme com 15 anos, diagnosticado com Paralisia Cerebral severa desde o nascimento.

 “Apesar de suas limitações, Lucas sempre demonstrou alegria e força em seu viver. Seu corpo não responde como os da maioria, mas tem muito a dizer, a sentir. A percepção dele é outra. O tempo dele é outro. É preciso diminuir a frequência para captar suas sutilezas. Assim como acontece com o filme”, conta a diretora sobre como sua experiência com Lucas contribuiu pro despertar de um olhar mais contemplativo pra vida e serviu de inspiração para a realização do filme.

A principal motivação para a realização do filme foi algo que Ani sempre considerou o maior dos desafios em sua vivência com Lucas: os olhares sociais. “Lidar com o preconceito, a estranheza, a falta de conhecimento e de trato perante um deficiente e seus familiares, pode se configurar mais doloroso do que lidar com a própria deficiência”. No filme, inteiro rodado em primeira pessoa, partindo da visão de Lucas, Ani empresta ao espectador o olhar contemplativo de seu filho como um convite a um mergulho interior em experiências, emoções e sentimentos individuais. Uma devolutiva de olhar, sob um outro ponto de vista, que induz o espectador a refletir sobre a sua própria experiência e seu olhar pra vida e para o próximo, cada qual, com suas peculiaridades.

O processo criativo iniciou-se em Abril de 2016. A captação das imagens do cotidiano da família, iniciaram-se no mesmo período e estenderam por um ano, sendo as últimas imagens feitas em Maio de 2017. Da concepção da ideia à finalização do projeto passaram-se dois anos. Uma documentação rica e potente que rendeu material para dois filmes, o curta "O LUCAS CHAMOU O MAR", apresentado aqui, e um longa-metragem em fase de desenvolvimento.


SINOPSE CURTA
Ani e seus dois filhos, Lucas e Clara, levam uma vida comum na Zona Sul de São Paulo, mas o comum e o extraordinário; o cotidiano e a poesia se fundem nesse ensaio sobre o olhar que convida a um mergulho em águas profundas e fluidas, num só fôlego.


 


SINOPSE LONGA
O curta-metragem documental "O Lucas Chamou o Mar" retrata o cotidiano de um núcleo familiar composto por Ani, 34 anos, e seus dois filhos Lucas, 15, e Clara, 6. A partir do olhar de Lucas, o filme é construído através de imagens captadas do real e com a inserção de imagens poéticas, metaforizando e/ou referenciando os sentimentos e sensações vividos pelo personagem. No filme, a fusão do que é orgânico e vivo: ruídos do mar, do respirar - ruídos do existir dentro e fora.

Mais do que mostrar como vive uma família específica, o filme se propõe a desafiar olhares provocando reinterpretações que transformam em poesia uma realidade não tão poética e, a partir de uma experiência individual, provocar no espectador a reflexão sobre seu próprio olhar para a vida e para o próximo, e entender como o seu enxergar ecoa através de uma experiência individual específica, desencadeando pensamentos e emoções diferentes para cada perspectiva.


FICHA TÉCNICA: 
Empresa Produtora Frontera Filmes
Responsável Criador Ani Cires
Produção Executiva Luiza Marques da Costa e Tiago Pinheiro 
Roteiro e Direção Ani Cires
Direção de Produção Luiza Marques da Costa 
Direção de Fotografia Ani Cires e Tiago Pinheiro 
Assistência de Fotografia Marcela Chamilian 
Som Direto Thiago Ferraz 
Montagem e Colorização Tiago Pinheiro 
Folley, SFX e Mixagem Pedro Luce 
Trilha Sonora Original André Bruni e Pedro Luce
Tradução e Legendagem CD Vallada
Empresa de Design Gráfico Design Justo 
Arte Gráfica Marcelo Gava e Nina Cast 
Personagens Ani Cires, Clara Cires e Lucas Cires


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